terça-feira, 19 de junho de 2012

Projeto de Instalação.

Memorial descritivo.


Título da obra: Os guarda-sóis
Técnica: Instalação
Material utilizado para produção das peças: Guarda-sóis, tinta acrílica.




Desde minha infância sempre adorava ir à praia quando estava cheia de gente, pois sempre achei fascinante as várias cores dos guarda-sóis se misturando com a paisagem. Me recordo bem que sempre passava horas sentada nas dunas contemplando o colorido dos guarda-sóis e sempre imaginava eles como uma nova paisagem, uma paisagem que se renovava a toda hora, sempre que um se abria e outro se fechava na beira mar. Fiz meu ensino médio em um internato, onde estudei magistério durante três anos. Quando penso em algo que me marcou nessa época da vida, lembro-me de um guarda-sol azul com estampa de peixes que andava comigo para onde quer que eu fosse. Ele servia para dar carona para as meninas que moravam na mesma casa que eu nesse período em dias de chuva e servia também para ir dar aula em escolas distantes quando tinha muito sol ou muita chuva. Quem não sabia meu nome, me conhecia como a “guria do guarda-sol”. Tenho várias fotos de momentos marcantes com o tal guarda-sol. Hoje ele deve viver em algum lixão do litoral. Todo enferrujado e rasgado, não durou para sempre, mas as lembranças boas que me traz até hoje são eternas. Quando surgiu a proposta da disciplina de Laboratório da Linguagem Tridimensional de criar uma instalação, partindo do ponto em evidencia do primeiro trabalho de performance, logo me veio em mente a possibilidade de utilizar algum guarda-sol de alguma maneira no trabalho. A proposta então era sair do espaço de trabalho do artista e ocupar o entorno desse espaço ou qualquer ambiente da cidade. Para isto deveríamos apresentar um projeto de instalação, da maneira que cada um bem entendesse. Minha ideia foi a seguinte: pensei em utilizar guarda-sóis prateados, tinta preta e meus números, muitos números. A instalação consistiria então em 5.000 guarda-sóis espalhados por diversos locais da cidade onde moro. Os guarda-sóis seriam prateados para brilharem muito no sol e estariam cheios de números (os mesmos que estavam no meu corpo durante a performance). Os guarda-sóis abertos criariam uma nova paisagem pela cidade. Quando conclui minha ideia, lembrei de dois artistas que admiro muito: Christo e Jeanne Claude. Eles eram um casal e trabalharam juntos por muitos anos, até a morte de Jeanne Claude, vítima de um AVC. Famosos por suas obras de grandes dimensões, o casal sempre me encantou. Encanto este que aumentou muito quando descobri que fizeram juntos uma obra utilizando guarda-sóis para modificar a paisagem. Em 1984-91 desenvolveram juntos o projeto temporário: The umbrellas no Japão (vale localizado a norte de Hitachiota e sul de Satomi) e USA (vale localizado a norte de Los Angeles). Visando refletir os diversos usos do solo em dois vales distintos no interior, um de 19 Km no Japão e outro de 29 Km nos EUA. Os guarda-chuvas foram dispostos de acordo com as características do espaço, assim como a escolha das cores. No espaço limitado do Japão, estes foram posicionados bastante próximos, seguindo a geometria dos campos de arroz. Visto tratarem-se de campos abundantes em água todo o ano, os guarda-chuvas eram azuis. Enquanto na vastidão de pastagens não cultivadas na Califórnia, os guarda-chuvas estão dispostos em diversas direções. Dado que se trata de uma paisagem seca, optaram pela cor amarela.



Bibliografia utilizada:

http://sites.google.com/site/landandart/artists/escultor/christo-e-jeanne-claude (acesso em 21/05/12) http://www.christojeanneclaude.net/index.shtml (acesso em 22/05/12)



Abaixo algumas imagens que ilustram o projeto de instalação:

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